Chapter “A Aldeia e o Bairro”

A Aldeia e o Bairro

 
“Um líder é um gestor da esperança.”

Napoleão

A esperança é a capacidade de ver a luz ao fundo do túnel, quando não parece haver lá nenhuma.

Como funciona esse mecanismo? Como é que podes encontrar esperança em qualquer momento e, mais que isso, podes dar esperança a outras pessoas em qualquer momento?

É de facto muito simples.

Os nossos sentimentos e emoções, assim como as nossas opções, são sempre feitas por comparação.

Se eu te mostrar uma foto de um monte de areia, tu nunca saberás o seu tamanho, a não ser que, ao lado, tenhas um objecto para te dar uma noção de escala. Precisas de um termo de comparação.

O nosso cérebro faz escolhas por comparação, não somente escolhas racionais, mas também emocionais. Tu escolhes sentir-te entusiasmado ou desanimado, esperançado ou desiludido, e fazes isso sempre por opção, mesmo que não tenhas consciência disso.

Não precisas de olhar para mim com essa cara de dúvida, é assim mesmo. Vou explicar-te porquê.

Imagina que passas a tua infância numa aldeia de montanha. Verde, solarenga, de pessoas felizes. Um dia, já adulto voltas para a viver de novo ali depois de 30 anos de ausência, e vês que essa aldeia é agora um bairro social, cheio de prédios feios, tudo alcatroado e cimentado, pessoas tristes nas ruas.

A tua emoção tem de ser bastante negativa pois estás a comparar o que vês agora com o que te recordas e não querias que as coisas tivessem mudado. Mas mudaram. Vais ficar desapontado, revoltado, triste porque não queres aceitar que as coisas tenham mudado. Vais fazer manifestações, pedir de volta o “paraíso perdido”, exigir das autoridades uma explicação, que ponham tudo de volta. E, quando tudo falha, perdes a esperança e dizes “não vale a pena, está tudo perdido”.

A esperança começa quando aceitas a mudança. A única coisa que não muda é o facto de que tudo muda. As coisas não serem hoje como eram ontem é a ordem do dia. A história da aldeia e do bairro ilustra qualquer coisa que era boa e passou a ser má (em comparação).

O que faz uma pessoa prosseguir, desenvolver-se e prosperar na adversidade? A esperança. E onde ir buscar essa esperança quando as coisas ficaram tão negras e tão difíceis? Mudando o teu termo de comparação.

Primeiro precisas de colocar a aldeia de há 30 anos numa gaveta da tua memória. Aceitar que já não existe e não voltará. Em seguida aceitar que a realidade em que estás agora é o teu novo termo de comparação. Para isso precisas de encher o peito de ar e deixar de lutar mentalmente contra ele. Deixa de oferecer resistência.

Em seguida vais buscar à aldeia que tens na gaveta tudo o que era positivo e que pode ser transportado para a tua realidade actual. Por exemplo: as pessoas eram amigas, partilhavam coisas, faziam coisas em conjunto, havia árvores, espaços para as crianças, animais domésticos, etc.

Em seguida começas a trabalhar para, na nova realidade, re-conquistares as coisas que te faziam feliz. Não na forma, mas na essência. Se não podes ter um prado com vacas, poderás ter um parque com cães passeados pelos seus donos, se não podes entrar na casa do teu vizinho a qualquer hora do dia ou da noite, poderás proporcionar actividades em conjunto com o bairro e criar amizades.

Se perdeste o emprego, poderás arranjar um part-time ou um negócio próprio, se não podes fazer nada disto, poderás arranjar uns biscates, se não sabes fazer nada, podes sempre aprender, se não tens quem te ensine, podes procurar. Se não achares podes aprender sozinho.

Há sempre. Sim, sempre(!) algo que podes fazer para melhorar a situação em que te encontras, independentemente de qual seja. A capacidade de fazer isso tem um nome: esperança. E esta, tu podes ir buscá-la a este mecanismo fantástico do teu cérebro que tudo valoriza por comparação.

Quanto pior for a tua situação actual, mais fácil é melhorá-la um pouco. Essa melhoria é um sinal de que as coisas já começaram a mudar para melhor. Continua nesse processo.

 

 

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